O relatório da Polícia Federal que revelou os ‘podres’ de Alexandre de Moraes, Paulo Gonet e Andrei Rodrigues com o ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro foi concluído em apenas quatro dias e não encerra a apuração sobre o caso. O documento de 218 páginas, entregue ao ministro André Mendonça em 27 de agosto, analisou somente um dos celulares apreendidos com Daniel Vorcaro na operação Compliance Zero. A própria corporação afirma que o material não possui caráter exaustivo e que ainda há informações pendentes de investigação, incluindo outros aparelhos do banqueiro que permanecem sob perícia.
Segundo a PF, o trabalho inicial se limitou a transcrever menções nominais diretamente identificadas, sem aprofundar investigações sobre magistrados ou integrantes do Ministério Público. Paulo Figueiredo, que vive nos Estados Unidos e é considerado foragido por Moraes, destacou em publicação no X que “há uma boa razão para imaginarmos que Mendonça só colocou a cabecinha e vem muito mais por aí”. A avaliação encontra respaldo no relatório, que admite a possibilidade de existirem outras citações ou referências indiretas ainda não detectadas pela equipe.
Além do primeiro celular, há outros oito aparelhos de Vorcaro que precisam ser examinados, conforme decisão de Mendonça em março. O material já recuperado mostra mensagens temporárias e arquivos de visualização única enviados ao contato identificado como “Alexandre de Moraes BRASILIA”, mas parte dos diálogos não pôde ser reconstruída integralmente. A PF também registrou notas em que Vorcaro mencionava reforçar contatos com “Andrei e Paulo”, possivelmente em referência a Rodrigues e Gonet. As investigações seguem em estágio avançado, com análises bancárias e oitivas previstas para conclusão em até 60 dias.

