A Polícia Federal identificou que Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola e ex-chefe de gabinete de Lula, atuou para aproximar a lobista Roberta Luchsinger de Swedenberger Barbosa, então secretário-executivo do Ministério da Saúde. Mensagens revelam que Marcola repassou contatos e acompanhou tratativas que resultaram em reunião marcada em setembro de 2023, em apenas três dias. O caso envolve ainda o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, e segue em investigação por suspeita de tráfico de influência dentro do Governo Federal.
As conversas mostram que Roberta, amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, buscava abrir espaço para negócios relacionados a medicamentos à base de canabidiol. Após o encontro com Swedenberger, ela relatou que o secretário havia sido “super solícito” e indicou que haveria possibilidade de avançar em tratativas. Em fevereiro e março de 2024, novas mensagens apontam que Roberta e Lulinha discutiram estratégias e solicitaram apoio de Marcola para viabilizar reuniões adicionais sobre o tema. A PF apura se essas movimentações tinham como objetivo favorecer a empresa World Cannabis, ligada ao Careca do INSS.
Segundo os investigadores, Roberta recebeu R$ 1,5 milhão da empresa e apresentou minuta de contrato que previa a venda de 1,2 milhão de frascos de canabidiol por R$ 626 milhões ao Ministério da Saúde. Apesar das tratativas, o acordo não foi concretizado. A defesa de Marcola afirma que ele não intermediou negociações nem encaminhou documentos oficiais, enquanto representantes de Lulinha dizem não poder confirmar a autenticidade das mensagens. O Ministério da Saúde declarou que o canabidiol não está incorporado ao SUS e que nunca houve possibilidade de contratação ou discussão para oferta do produto na rede pública.

