O novo plano de governo de Lula para 2026 deixa de lado a narrativa de “reconstrução” usada em 2022 e passa a destacar a consolidação do legado do atual mandato. O documento, com 84 páginas, organiza propostas em 13 eixos temáticos e apresenta conquistas que o governo afirma já ter alcançado, como a saída do Brasil do Mapa da Fome e a aprovação de reformas econômicas. A mudança de tom indica que o petista pretende defender a continuidade das políticas atuais, em vez de propor uma ruptura ou revisão ampla das medidas adotadas nos últimos anos.
Em comparação ao programa anterior, que tinha 121 diretrizes e se estruturava em quatro blocos, o plano de 2026 amplia a descrição das estratégias e incorpora programas lançados desde 2023, como o Novo PAC e o Pé-de-Meia. Também aparecem no texto iniciativas como o Agora Tem Especialistas, voltado ao SUS, e a Nova Indústria Brasil. No campo fiscal, o documento reconhece a substituição do teto de gastos pelo novo Arcabouço Fiscal e inclui a Reforma Tributária sobre o consumo como parte das entregas já realizadas pelo governo Lula.
Entre os pontos adicionais, o plano aborda temas trabalhistas, como a defesa do fim da escala 6 x 1 e a redução da jornada semanal para 40 horas sem corte salarial. Há ainda propostas para regulamentar o trabalho em aplicativos e fortalecer a soberania digital com centros de dados nacionais e modelos de inteligência artificial em português. Na área de segurança, o texto detalha ações do Programa Brasil Contra o Crime Organizado e reforça a defesa da soberania nacional, mantendo pilares ideológicos como oposição à privatização de estatais e a promessa de progressividade tributária.

