A fala do ministro da Defesa, José Múcio, de que o Brasil deveria “abrir os portões” em caso de invasão norte-americana, expõe uma realidade desconfortável: o país não tem condições de enfrentar militarmente os Estados Unidos. Essa constatação deveria servir como ponto de partida para uma reflexão madura sobre o futuro das relações bilaterais. Em vez de insistir em provocações a Donald Trump, Brasília deveria reconhecer que a única saída racional é estender pontes com Washington.
Historicamente, os EUA foram aliados militares do Brasil. Basta lembrar da Segunda Guerra Mundial, quando tropas brasileiras lutaram ao lado dos norte-americanos na Itália. Essa parceria não apenas fortaleceu nossa posição internacional, como também garantiu acesso a tecnologia e treinamento que marcaram gerações de militares. Hoje, no entanto, o Brasil parece esquecer essa história e prefere adotar discursos que azedam o relacionamento com Washington.
A disparidade é evidente. Enquanto os EUA contam com porta-aviões, bombardeiros estratégicos e milhares de ogivas nucleares, o Brasil luta para modernizar sua frota aérea e manter submarinos operacionais. O próprio ministro reconheceu que o orçamento de defesa é insuficiente. Diante dessa fragilidade, cutucar Trump é mais do que imprudência: é brincar com fogo.
O episódio da Venezuela em 2026 mostrou que, quando os EUA decidem agir, o resultado é imediato. Maduro foi capturado em questão de horas, e o regime entrou em colapso. O Brasil não é a Venezuela, mas se continuar a provocar Washington, pode acabar sendo tratado com a mesma severidade. “Abrir os portões”, nesse caso, não seria uma escolha, mas uma imposição diante da incapacidade de defesa.
A eleição brasileira de 2026 é observada de perto em Washington. O resultado definirá se o Brasil se tornará um país mais livre e amigável ou se as relações azedarão de vez. Caso Brasília insista em se afastar dos EUA, a consequência será clara: a coleira sobre o governo brasileiro apertará, e a margem de manobra internacional será reduzida.
Estender pontes com os Estados Unidos não significa submissão, mas pragmatismo. Significa reconhecer que, sem capacidade militar para resistir, o Brasil precisa de alianças sólidas para garantir sua soberania. Significa também entender que Trump não é inimigo, mas um líder disposto a fortalecer parcerias com países que rejeitam ditaduras e buscam estabilidade.
O Brasil precisa decidir se quer ser visto como parceiro ou como problema. A escolha é simples: continuar cutucando uma superpotência que poderia derrubar seu governo em dias, ou retomar o caminho da cooperação histórica que já nos trouxe benefícios concretos. A lição da Venezuela está aí, e ignorá-la seria um erro imperdoável.
