O presidente iraniano Masud Pezeshkian afirmou nesta segunda-feira (18) que manter negociações com os Estados Unidos é uma forma de preservar a dignidade nacional, e não um ato de rendição. A declaração ocorre em meio ao bloqueio naval norte-americano que reduziu em mais de 80% as exportações de petróleo do país, além de um frágil cessar-fogo. Segundo Pezeshkian, “o diálogo não significa rendição”, destacando que Teerã busca preservar os direitos legítimos da população e da República Islâmica.
O posicionamento do líder iraniano surge em resposta tanto às pressões externas quanto às divergências internas. Enquanto Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, reiterou que não está disposto a fazer concessões, setores da linha dura iraniana exigem o fim das sanções e a liberação de ativos bloqueados antes de qualquer nova rodada de conversas. Pezeshkian, por sua vez, alertou que a falta de unidade interna pode ser explorada por adversários com mais eficácia do que ataques militares, reforçando a necessidade de coesão nacional.
A crise energética intensifica o impacto econômico do bloqueio. O mandatário reconheceu que a produção de gasolina caiu para 100 milhões de litros diários, frente a uma demanda de 150 milhões, após ataques a refinarias. Além disso, relatou danos severos à infraestrutura, incluindo a destruição de uma planta elétrica e de uma instalação petroquímica. O Ministério das Relações Exteriores confirmou que o processo de mediação liderado pelo Paquistão continua, mas sem avanços concretos, já que Teerã considera a apreensão de navios iranianos pelos EUA uma violação direta do cessar-fogo.









