A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, elevou a temperatura em Brasília ao atribuir diretamente a Davi Alcolumbre as derrotas históricas do governo: a rejeição de Jorge Messias e a derrubada do veto ao PL da Dosimetria. Em tom de ameaça, Gleisi sugeriu que Alcolumbre está jogando afinado com Flávio Bolsonaro e que o governo precisa “demarcar campo” contra quem se comporta como “inimigo dentro de casa”.
A fala da deputada caiu como uma bomba no Senado. Interlocutores de Alcolumbre apontam que o governo parece ter esquecido que, em ano eleitoral, a “chave do cofre” das pautas populistas — como o Desenrola 2.0 e novos subsídios — passa obrigatoriamente pela mesa do presidente do Congresso. Romper com o União Brasil e com o bloco liderado por Alcolumbre agora pode significar a paralização total do governo Lula até as eleições de outubro, deixando o presidente sem as vitórias que pretende exibir no palanque.
Lula precisa de vitórias rápidas para as eleições — crédito fácil, renegociação de dívidas, obras do PAC. Tudo isso depende de um Congresso colaborativo. Ao rotular Alcolumbre como “aliado do Flávio”, Gleisi cria uma profecia autorrealizável. Se o governo continuar tratando o centro como inimigo, o centro se tornará, de fato, a base de apoio da oposição. O PT parece preferir ter “razão ideológica” no Twitter do que governabilidade no plenário. Para a direita, essa briga é o melhor dos mundos: o governo se isola e o Congresso assume as rédeas do país de vez.








