A esperança de que a presidência de Edson Fachin traria um pingo de autocrítica ao Supremo Tribunal Federal (STF) ruiu definitivamente nesta semana. O ministro, que outrora sinalizou a criação de um código de ética para a Corte, preferiu vestir a toga do corporativismo e adotar a velha tática de Alexandre de Moraes: classificar qualquer crítica legítima como “ataque à democracia”.
O motivo do nervosismo no STF atende pelo nome de Banco Master. O escândalo, que já está sendo apelidado nos bastidores de “Toffolão”, envolve suspeitas graves de conflitos de interesse, tráfico de influência e decisões judiciais que parecem sob medida para beneficiar parceiros comerciais.
Em nota oficial divulgada nesta quinta-feira (22), Fachin não respondeu aos fatos, mas partiu para o ataque contra quem ousa pedir transparência:
“Quem tenta desmoralizar o STF para corroer sua autoridade (…) está atacando o próprio coração da democracia constitucional”, escreveu o ministro, em um tom que mais parecia uma ameaça velada do que uma defesa institucional.
Os pontos cegos da fala de Fachin:
Ameaça sem nome: Ao dizer que a “história é implacável”, o ministro flerta com a censura prévia e com a intimidação de jornalistas e parlamentares.
Confusão proposital: Mistura-se crítica técnica e denúncia de corrupção com “golpismo” para interditar o debate.
O silêncio sobre o Master: Enquanto fala em “interesses escusos”, o STF se recusa a explicar as relações entre escritórios de parentes de ministros e as instituições financeiras beneficiadas por suas liminares.
O que Fachin chama de “ataque”, a sociedade civil e a oposição chamam de dever de fiscalização. Pedir que se investigue lavagem de dinheiro ou obstrução de justiça não é “destruir instituições”. Pelo contrário: é o esforço de cidadãos que ainda acreditam que ninguém, nem mesmo um ministro de tribunal superior, deve estar acima da lei.








