O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), cumpre nesta quarta-feira (11) uma agenda que é pura adrenalina política. Ele desembarcou em Brasília para uma maratona de reuniões individuais com quatro pesos-pesados do Supremo Tribunal Federal: Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Dias Toffoli e Gilmar Mendes.
O objetivo oficial é técnico: garantir que o plenário do STF referende a liminar do ministro André Mendonça, que validou a renegociação da bilionária dívida de São Paulo com a União através do Propag (Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados). Na prática, Tarcísio está no “corpo a corpo” para evitar que o Tesouro Nacional volte a asfixiar as finanças paulistas com taxas de juros extorsivas.
São Paulo é um dos estados mais endividados da federação. A vitória obtida com Mendonça em janeiro reduziu a correção da dívida, trocando a taxa fixa de 4% mais inflação por um modelo mais maleável (entre 2% e 4% mais IPCA). Sem esse aval do STF, o estado correria o risco de sofrer sanções de crédito e bloqueios da União.
Para o eleitor de direita, a imagem de Tarcísio saindo do gabinete de Alexandre de Moraes às 12h para entrar no de Gilmar Mendes às 19h gera um misto de compreensão e desconforto. Tarcísio joga o “jogo das instituições” para salvar o caixa de São Paulo, mas essa proximidade é exatamente o que alimenta as críticas da base mais radical, que prefere o embate direto ao diálogo de bastidor.
Tarcísio sabe que, no STF, o voto técnico muitas vezes depende do clima político. Ao viajar pessoalmente, ele tenta desarmar resistências e garantir que o julgamento virtual, que começa nesta sexta-feira (13), não seja um palco de retaliação política contra o maior expoente da oposição administrativa ao governo Lula.

