Os investigadores da Polícia Federal avaliaram como insuficiente a proposta de delação premiada apresentada por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O material, que deveria esclarecer o esquema bilionário de fraudes envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e pagamentos de propina a autoridades, foi classificado como inconsistente e sem nomes relevantes do alto escalão. A percepção é de que Vorcaro estaria poupando figuras influentes, incluindo o ministro do STF Alexandre de Moraes e sua esposa, que aparecem em contratos firmados pelo banqueiro.
A defesa de Vorcaro protocolou uma nova versão da colaboração na quarta-feira (6), após a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Polícia Federal rejeitarem a primeira tentativa. O documento traz anexos e estipula o pagamento de uma multa bilionária, mas ainda não convenceu os investigadores. Fontes ligadas ao caso afirmam que os trechos já analisados não contemplam todas as provas obtidas pela perícia em celulares apreendidos, que indicam a participação de autoridades com foro privilegiado. A expectativa inicial de análise em poucas semanas é considerada otimista, e o processo deve se estender por mais de um mês.
Vorcaro está preso desde março e foi transferido pela Polícia Federal no dia 23 do mesmo mês. Em sua versão da delação, o banqueiro relatou ter contratado o escritório da advogada Viviane Barci, esposa de Moraes, como forma de se aproximar do magistrado, mas negou qualquer troca de favores. Apesar disso, investigadores avaliam que o conteúdo apresentado não corresponde às evidências já levantadas pela Operação Compliance Zero, o que pode levar à rejeição definitiva da proposta de colaboração.













