A Polícia Federal analisa conversas de WhatsApp atribuídas ao lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, que indicam tentativas de negócios com o Ministério da Saúde em 2025. As mensagens revelam propostas para fornecimento de medicamentos à base de cannabis, testes rápidos de dengue e produtos de nutrição infantil. Embora tenha sido recebido em reunião na pasta em janeiro, nenhuma das iniciativas prosperou, segundo informações oficiais.
O material em análise integra a Operação Sem Desconto, deflagrada em 23 de abril de 2025, que apura fraudes em aposentadorias e suspeitas de desvio de recursos para estruturar empresas ligadas ao lobista. Em decisão anterior, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça destacou que o Ministério da Saúde poderia se tornar “nova área de atuação da organização criminosa” e determinou que a Anvisa investigasse possíveis irregularidades de servidores. As mensagens sugerem que o Careca buscava contratos milionários sem licitação, elaborando documentos técnicos para direcionar compras.
Entre os episódios registrados, estão a minuta de um Termo de Referência para aquisição de 1,2 milhão de frascos de canabidiol, além de negociações para testes de dengue de uma fabricante chinesa. Também houve tentativa de parceria com a Indústria Química do Estado de Goiás (Iquego) para fornecimento de produtos de nutrição infantil. Apesar das movimentações, o Ministério da Saúde informou que todas as propostas foram rejeitadas.









