O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) atravessa uma crise de confiança em um momento crítico. A pouco mais de um mês da divulgação do PIB de 2025, o órgão confirmou a exoneração de Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais e peça-chave no cálculo da riqueza do país. A mudança abrupta, somada a outras baixas estratégicas, levou o sindicato da categoria (Assibge) a acionar o Governo Federal, temendo pelo comprometimento da credibilidade dos dados oficiais.
O clima de instabilidade não é isolado. Além da troca na coordenação do PIB, o instituto registrou saídas na Gerência de Sistematização de Conteúdos e na Diretoria de Geociências. O movimento ocorre em meio a reuniões com a Secretaria-Geral da Presidência, hoje sob o comando de Guilherme Boulos, o que acende o sinal amarelo na oposição e entre analistas de mercado.
A preocupação central é que a substituição de técnicos experientes por nomes alinhados à gestão atual possa abrir margem para o “ajuste” de metodologias que favoreçam a narrativa econômica do governo. Vale lembrar que o IBGE está em processo de revisão do “Ano Base” para o Sistema de Contas Nacionais, um procedimento técnico sensível que define como o crescimento do Brasil é medido.
O desmonte técnico no IBGE acontece pouco tempo após o polêmico episódio da funcionária demitida por denunciar inconsistências e pressões internas nas pesquisas do Instituto.
O sindicato Assibge admitiu em nota que a crise de gestão pode fortalecer narrativas sobre a falta de isenção dos indicadores. Se os números do PIB vierem desconectados da realidade sentida pelo setor produtivo, o mercado poderá reagir com uma fuga de capital ainda maior, temendo que o Brasil esteja trilhando o caminho da “contabilidade criativa” que marcou gestões petistas anteriores.







