Em ano eleitoral marcado pela ameaça da volta do bolsonarismo ao Planalto, Lula procura se afastar do ministro Dias Toffoli, relator do inquérito que apura irregularidades ligadas ao Banco Master. O petista tem demonstrado irritação com a condução do magistrado e, segundo relatos, chegou a sugerir em conversas reservadas que Toffoli deveria renunciar ou se aposentar, segundo reportagem da Folha de S. Paulo. A estratégia do líder da esquerda poderia ser entendida como uma maneira de evitar que o escândalo, considerado uma das maiores fraudes da história econômica do país, respingue diretamente sobre o Governo Federal em um momento de fragilidade política.
O caso ganhou relevância após denúncias de vínculos de familiares de Toffoli com fundos ligados ao banco, além da imposição de sigilo elevado sobre documentos da investigação. Lula, que já havia discutido o tema com o ministro no fim do ano passado, voltou a reclamar do risco de abafamento do processo e da repercussão negativa para o Supremo Tribunal Federal. Em desabafo a auxiliares, o petista afirmou que não é aceitável que apenas os mais pobres sejam punidos enquanto empresários envolvidos em golpes bilionários escapam de responsabilização.
As investigações também expõem conexões do Banco Master com políticos do centrão e aliados do PT na Bahia, como Rui Costa e Jaques Wagner. O empresário Daniel Vorcaro, dono do banco, e seu ex-sócio Augusto Lima, próximo a integrantes do governo Lula, aparecem entre os citados. A pressão sobre Toffoli aumentou após revelações de contratos milionários envolvendo escritórios de advocacia ligados a familiares de ministros do STF. Apesar das críticas, Toffoli tem sinalizado que não pretende se afastar da relatoria, enquanto Lula tenta administrar os danos políticos e impedir que o caso comprometa sua campanha de reeleição.










