O candidato à reeleição Lula (PT) afirmou que pretende impedir os bancos de concederem mais de um cartão de crédito por pessoa como medida para conter o endividamento das famílias brasileiras. Durante entrevista ao Flow Podcast na quinta-feira (1º), o petista classificou os juros cobrados no cartão como um “crime” e disse estar discutindo a proposta com o Banco Central. Segundo Lula, a facilidade de acesso ao crédito leva consumidores a gastar sem perceber. Porém, ao abordar a situação econômica, o candidato não apresentou uma proposta de redução das despesas do governo federal.
O uso do cartão ocorre num cenário em que o orçamento das famílias segue pressionado. A inflação acumulada em 12 meses estava em 4,22% em agosto, enquanto o IPCA-15 avançou 0,70% em setembro. Ao mesmo tempo, o Banco Central registrou endividamento das famílias em 49,8% da renda acumulada em 12 meses e comprometimento mensal de 29,3% com o serviço das dívidas, próximo de máximas históricas. O próprio BC atribui parte dessa pressão ao custo elevado do crédito e ao aumento da procura por modalidades emergenciais mais caras. Nesse ambiente, limitar a quantidade de cartões atua sobre o acesso ao crédito, mas não resolve diretamente a pressão provocada pelo custo de vida e pelo comprometimento elevado da renda familiar.
Do lado das contas públicas, o governo Lula manteve a despesa primária do Governo Central próxima de 19% do PIB durante o mandato: 19,5% em 2023, 18,7% em 2024, 18,8% em 2025 e previsão de 18,9% para 2026. A Lei Orçamentária deste ano prevê R$ 2,59 trilhões em despesas primárias e um resultado primário inicialmente deficitário em R$ 16,9 bilhões antes das compensações permitidas pela regra fiscal. O próprio Ministério da Fazenda sustenta que houve medidas de contenção e que a participação dos gastos no PIB permaneceu controlada; ainda assim, na entrevista em que propôs restringir cartões dos consumidores, Lula não anunciou um novo pacote de redução de despesas federais.

