Imagine um elefante no topo de uma árvore. O espanto imediato não vem apenas da improbabilidade da cena, mas também da pergunta inevitável: como ele chegou ali? E, mais importante, por que ainda não caiu? Essa metáfora ilustra perfeitamente o governo de Lula da Silva, cuja permanência no poder desafia a lógica política e econômica do Brasil.
A mais recente pesquisa da Genial/Quaest com agentes do mercado financeiro revela um cenário de perplexidade e desconfiança. Segundo o levantamento, 88% dos entrevistados avaliam negativamente o governo Lula, e apenas 4% consideram seu desempenho positivo. O dado mais alarmante, porém, é a quase unanimidade na percepção de que a política econômica do país está na direção errada.
O mercado, cético, aponta Lula como o principal responsável pelo desarranjo econômico. A inflação persiste, o risco de recessão aumenta e o descontrole fiscal se intensifica, sinais claros de uma gestão que parece ignorar lições do passado. O próprio ministro da Fazenda, Fernando Haddad, antes visto como um moderador dentro do governo, já perdeu a confiança de 58% dos entrevistados. Seu enfraquecimento apenas reforça a percepção de que Lula conduz o país de forma errática.
Para agravar o cenário, o governo não apenas ignora os alertas econômicos como também se sustenta na premissa de que sua permanência no poder é inquestionável. A comparação com Dilma Rousseff é inevitável. Se Dilma caiu por pedaladas fiscais, por que Lula deveria ser tratado de forma diferente? O caso do programa Pé-de-Meia, que já gerou um pedido formal de impeachment, sugere que velhas práticas de manipulação orçamentária seguem sendo utilizadas como ferramenta política.
Ainda assim, Lula parece se manter na árvore com estabilidade artificial. O segredo? Uma rede de sustentação que inclui o Centrão, e um tratamento sutil do Supremo Tribunal Federal, em meio à retórica de que qualquer oposição representa uma ameaça à democracia. Esse tripé impede que as instituições atuem de maneira independente e que o país corrija sua trajetória antes que seja tarde.
No cenário internacional, Lula adota uma postura que isola o Brasil. Seu alinhamento com regimes autoritários e o ambiente hostil para investidores afastam oportunidades e reforçam a percepção de que o país está à deriva. O The Wall Street Journal destacou recentemente o ambiente econômico desfavorável criado por Lula, apontando para um possível colapso financeiro, que pouco parece ser uma prioridade a ser resolvida não só pelo governo, mas pela maioria dos políticos em Brasília.
A pergunta que se impõe é: até quando o Brasil poderá sustentar um governo que compromete sua economia e suas instituições? A resposta dependerá da capacidade da sociedade e da oposição de se mobilizarem para exigir mudanças. O impeachment é uma possibilidade, mas a batalha será longa. Por enquanto, Lula segue como o elefante na árvore—desafiando a lógica, mas sem escapar das forças da gravidade política e econômica que, cedo ou tarde, cobram seu preço.