Lula atribuiu na quarta-feira (16) a Flávio Bolsonaro (PL-RJ) responsabilidade pela chegada de Alexandre de Moraes ao Supremo Tribunal Federal (STF), mas a afirmação não corresponde à cronologia oficial, o que poderia configurar um erro ou fake news espalhada pelo petista. Durante entrevista ao podcast Desce a Letra Show, Lula disse que Flávio “era senador” quando Moraes foi indicado e que “deve ter votado” por sua aprovação. Moraes, porém, foi indicado por Michel Temer (MDB) em fevereiro de 2017 e aprovado pelo Senado por 55 votos a 13 no mesmo mês. Flávio só iniciou seu mandato de senador em 1º de fevereiro de 2019; na época da votação, ainda exercia mandato de deputado estadual no Rio de Janeiro.
Na mesma fala, Lula afirmou que não era responsável pelas indicações de Kassio Nunes Marques e André Mendonça, escolhidos para o Supremo durante o governo de Jair Bolsonaro (PL). Os registros do Senado confirmam as duas indicações. Lula, no entanto, não mencionou nesse trecho que quatro integrantes da atual composição do STF foram escolhidos por ele: Cármen Lúcia e Dias Toffoli, durante seus primeiros mandatos, e Cristiano Zanin e Flávio Dino, desde seu retorno ao governo federal. Zanin foi aprovado pelo Senado em 2023 por 58 votos a 18, enquanto Dino recebeu 47 votos favoráveis, 31 contrários e duas abstenções.
A composição indicada por Lula voltou ao centro do debate após a crise envolvendo o Ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro. No julgamento de terça-feira (15), Zanin votou pela reunião dos procedimentos envolvendo Moraes e Mendonça, enquanto Dino pediu vista e suspendeu a análise antes de uma decisão definitiva sobre a questão processual. O placar provisório terminou em 4 a 3 pela manutenção dos casos separados, e o mérito sobre eventual investigação de Moraes não chegou a ser julgado.

