A Justiça da Bolívia emitiu, na quarta-feira (29), ordem de prisão contra o ex-presidente esquerdista Evo Morales, acusado de incitar atos de terrorismo e insurreição armada. O Ministério Público de Santa Cruz responsabiliza o líder esquerdista por suposto envolvimento nos protestos e bloqueios de rodovias realizados entre maio e junho, que exigiam a renúncia do atual chefe de Estado, Rodrigo Paz. A decisão inclui ainda denúncias de associação criminosa e instigação pública à prática de crimes, ampliando o cerco judicial contra Morales e outros dirigentes sindicais.
Além das acusações de terrorismo e insurreição, o processo aponta atentados contra a segurança dos meios de transporte e serviços essenciais, o que teria agravado a crise de abastecimento em diversas cidades bolivianas. Os protestos, liderados por trabalhadores rurais e pela Central Operária Boliviana (COB), paralisaram o país por semanas, provocando escassez de alimentos e combustíveis. O governo de Paz decretou estado de emergência para conter os bloqueios, medida que ampliou o poder das autoridades diante da instabilidade.
Morales, que governou a Bolívia por 13 anos, reagiu afirmando ser alvo de perseguição política. Em declaração pública, disse que “buscam responsabilizar-nos pelas mobilizações sociais para ocultar o verdadeiro drama que vive a Bolívia: uma profunda crise econômica e social”. Apesar da ordem judicial, o ex-líder sindical reforçou que continuará atuando junto a seus apoiadores. Também foram denunciados dirigentes de federações camponesas e sindicatos, ampliando o alcance das investigações sobre os protestos que marcaram o primeiro semestre.

