O cenário político no Irã contemporâneo evoca os levantes europeus do século 19, mas com uma distinção fundamental. Enquanto a Europa daquela época buscava a utopia de novas ideias republicanas, o povo iraniano hoje luta pelo resgate de uma identidade nacional persa, sufocada pela Revolução de 1979.
Para muitos, o atual regime dos Aiatolás é percebido como uma força de ocupação estrangeira e ilegítima que não representa a essência do país.
Embora o descontentamento seja histórico, a atual onda de mobilizações foi desencadeada por uma crise econômica severa, marcada por inflação galopante e escassez de divisas. A resposta do governo tem sido pífia no campo social — limitando-se a benefícios financeiros ineficazes — e devastadora no plano militar. Relatos indicam que o número de mortos, majoritariamente jovens, pode ultrapassar a casa das dezenas de milhares. Notavelmente, a sustentação do regime depende de mercenários estrangeiros, uma vez que as forças de segurança nativas tendem a simpatizar com os manifestantes.
A ascensão dos Aiatolás não decorreu de uma maioria religiosa, mas de uma organização estratégica financiada pela antiga União Soviética. Utilizando movimentos sociais (feministas, estudantis e trabalhistas) como instrumentos de desestabilização, a liderança islâmica subverteu o reinado de Reza Pahlevi. Uma vez no poder, o regime reprimiu esses mesmos grupos e impôs a lei sharia.
A restauração da monarquia constitucional surge como uma alternativa de liberdade e modernização técnica para parte da população, evocando o período do Xá, que era alinhado ao Ocidente. A queda do atual sistema teria impactos geopolíticos profundos:
- Geopolítica: O retorno do Irã como potência industrial e cultural no coração da Ásia;
- Religião: O estancamento da expansão do radicalismo islâmico rumo ao Ocidente;
- Economia: Estabilização de um mercado de 90 milhões de habitantes e vastas reservas petrolíferas.
O totalitarismo iraniano, fruto da subversão marxista do século 20, atingiu seu limite, e a resistência persa serve de exemplo ao Brasil. O caminho de resgate da identidade passa por reformas profundas do Estado, e esse é o nosso caminho.












