O candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) afirmou que manterá o reajuste de 15,04% do Bolsa Família caso seja eleito, mesmo depois de classificar a decisão de Lula como um “ato de desespero” às vésperas da eleição. O aumento anunciado na quinta-feira (17) eleva o piso do benefício de R$ 600 para R$ 691 e o valor médio de R$ 675 para R$ 777. Flávio acusou Lula de tentar obter vantagem eleitoral com a medida, anunciada a 17 dias do primeiro turno, mas rejeitou iniciativas de aliados para derrubá-la na Justiça Eleitoral e afirmou que o benefício reajustado estará garantido caso vença.
A campanha de Flávio considera o reajuste “eleitoreiro” e “irresponsável”, segundo apuração da CNN Brasil, mas decidiu não questioná-lo diretamente no Tribunal Superior Eleitoral para evitar que o PT passe a acusar o candidato de ser contrário ao programa social. O senador também disse que pretende ampliar políticas para reduzir a dependência das famílias em relação ao benefício, por meio de qualificação e geração de emprego. O governo Lula sustenta que o aumento corresponde à recomposição da inflação acumulada e estima impacto de R$ 5,8 bilhões em 2026.
O anúncio ocorre em uma fase de disputa eleitoral apertada. A AtlasIntel mostrou Flávio numericamente à frente de Lula por 47,2% a 46,8% no segundo turno, dentro da margem de erro; o Veritá também já registrou vantagem numérica do candidato do PL em levantamentos recentes. A Quaest colocou Flávio numericamente à frente por 42% a 40%, também em empate técnico. Já o Datafolha divulgado na quinta-feira (17) mostrou Lula com 46% contra 44% de Flávio. Portanto, o cenário não aponta uma liderança consolidada de nenhum dos dois, mas confirma uma eleição competitiva justamente no momento em que Lula decidiu reajustar o Bolsa Família.

