O primeiro debate do segundo turno entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula, realizado pela Band no último domingo (18), foi marcado por ataques, acusações envolvendo familiares e momentos em que os candidatos evitaram responder diretamente às perguntas do adversário. Um dos principais embates ocorreu quando Flávio perguntou repetidamente se Lula conhecia Roberta Luchsinger, investigada pela Polícia Federal. Na véspera, em entrevista à CNN Brasil, a lobista afirmou que pretende buscar um acordo de delação premiada e que não pouparia nem o ex-presidente nem seu filho, Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha). Lula não respondeu se conhecia Luchsinger e declarou que o caso é uma “questão da Polícia Federal”, além de acusar a lobista de ter contado “mentiras” na entrevista.
Outro ponto tenso ocorreu durante a discussão sobre política externa e economia. Lula iniciou a cobrança dizendo a Flávio: “Já que você é amigo do Milei…”, perguntando em seguida se o modelo econômico do presidente argentino Javier Milei continuava sendo referência para o adversário. Flávio respondeu citando as relações de Lula com os ditadores Daniel Ortega e Nicolás Maduro e não confirmou se adotaria o modelo argentino. Na sequência do confronto, Lula afirmou não ter dito que Flávio era amigo de Milei, apesar de ter utilizado exatamente essa expressão ao iniciar a pergunta.
Flávio também não respondeu diretamente a algumas cobranças, como se adotaria no Brasil medidas semelhantes às de Milei e se teria intenções de alterar a lei trabalhista no que diz respeito ao fim da escala 6×1. O senador afirmou que Luchsinger havia admitido ser sócia de Lulinha, enquanto a Polícia Federal investiga a suspeita de uma eventual “sociedade oculta” entre os dois. Lula, por sua vez, insistiu que cabe à PF investigar inclusive seu filho e propôs que ambas as famílias abrissem seus sigilos bancários e telefônicos. O debate terminou dominado por acusações sobre Luchsinger, Lulinha, Daniel Vorcaro, Banco Master e corrupção, além dos embates sobre economia e política externa.

