Taxa da carteira total do Sistema Financeiro Nacional iguala maior patamar da série iniciada em 2011; governo prorroga programa de renegociação por mais 30 dias para tentar desafogar famílias.
A inadimplência no crédito bancário brasileiro permaneceu no maior patamar da série histórica do Banco Central, iniciada em março de 2011. Segundo o Relatório de Estatísticas Monetárias e de Crédito divulgado nesta quinta-feira (30), o índice de atrasos superiores a 90 dias na carteira total do Sistema Financeiro Nacional situou-se em 4,7% em junho — o mesmo percentual registrado em maio. Em 12 meses, a taxa geral acumula alta de 1,0 ponto percentual.
O recorte por segmento indica estabilidade em patamares elevados. A inadimplência das pessoas físicas ficou em 5,6%, enquanto a das pessoas jurídicas permaneceu em 3,2%. O cenário de aperto financeiro ocorre em meio ao lançamento e expansão do programa Desenrola Brasil 2.0, iniciado em maio. De acordo com dados do Governo Federal, embora cerca de 9 milhões de cidadãos já tenham renegociado dívidas pela plataforma, a pressão sobre o orçamento familiar impediu uma queda imediata no indicador geral. Diante desse quadro, o Ministério da Fazenda confirmou a prorrogação do programa até 31 de agosto, com expectativa de alcançar 10 milhões de beneficiados.
Os dados de endividamento do BC, atualizados até maio, reforçam a vulnerabilidade das famílias. O endividamento familiar encerrou o mês em 49,8%, enquanto o comprometimento médio de renda com o pagamento de dívidas subiu para 28,5%. A combinação de juros elevados nas linhas de crédito livre e o custo de vida mantêm o orçamento doméstico pressionado, tornando a recuperação da adimplência um desafio persistente para a política econômica.

