China avança na Argentina e faz exportações industriais do Brasil caírem 20%

Redação 011
2 Min
China avança na Argentina e faz exportações industriais do Brasil caírem 20%
foto: Arquivo/Agência Brasil

Desregulamentação e alíquota zero para veículos elétricos impulsionam produtos chineses em setores estratégicos de alto valor agregado, fazendo exportações brasileiras para o país vizinho despencarem 20% no 1º semestre de 2026.

A política de abertura comercial promovida pelo presidente da Argentina, Javier Milei, está desmantelando a vantagem histórica do Brasil no comércio com o país vizinho. Com a flexibilização de registros, redução de exigências regulatórias e a autorização para a entrada sem tarifa de importação de até 50 mil veículos elétricos e híbridos em 2026, produtos manufaturados da China ganharam terreno acelerado em setores estratégicos como automóveis, autopeças, máquinas e equipamentos industriais — exatamente o segmento de maior valor agregado das exportações brasileiras.

Os impactos dessa reconfiguração geopolítica e econômica já são visíveis nos números. No primeiro semestre de 2026, os embarques brasileiros para a Argentina despencaram para US$ 7,3 bilhões, uma retração de cerca de 20% em comparação com os US$ 9,1 bilhões registrados no mesmo período do ano anterior. O recuo acende o alerta máximo na indústria nacional, uma vez que a Argentina absorvia cerca de dois terços dos automóveis de passageiros exportados pelo Brasil, operando através de uma cadeia produtiva profundamente integrada há décadas. Enquanto a China foca suas compras no Brasil em matérias-primas e commodities, o mercado argentino funcionava como o principal refúgio dos bens industrializados do país.

Diante do avanço agressivo das montadoras chinesas — alavancadas por alta escala, preços competitivos e excedente de produção —, o mercado argentino deixou de ser cativo para os fabricantes instalados no Brasil. Embora as montadoras nacionais venham buscando diversificar suas rotas para países como Colômbia, Chile e México, nenhum desses destinos oferece individualmente a mesma escala de integração. O cenário consolida uma mudança estrutural duradoura: mesmo que a economia argentina se recupere, o Brasil passa a disputar palmo a palmo um espaço onde antes reinava com folga comercial.

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