A oposição no Congresso Nacional alcançou o número necessário de apoios para a criação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) destinada a investigar o caso Banco Master. O deputado Carlos Jordy (PL-RJ) protocolou na terça-feira (3) o requerimento no Senado, após reunir 280 assinaturas — 238 de deputados e 42 de senadores. Com esse resultado, o regimento interno torna obrigatória a leitura do pedido em sessão conjunta da Câmara e do Senado, o que força a instalação da comissão, independentemente da vontade política do presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP).
O parlamentar destacou que, diferentemente das CPIs abertas em apenas uma das ‘casas’, a CPMI não depende de decisão discricionária da presidência. “O regimento do Congresso Nacional é muito claro. A partir do momento que tem as assinaturas, as CPMIs serão criadas em sessão conjunta, sendo automática a sua instituição se requerida por um terço dos membros”, afirmou Jordy. A expectativa agora é pela leitura do requerimento em sessão conjunta, etapa que oficializa a criação da comissão e abre caminho para a indicação dos membros que conduzirão as investigações.
A resistência de Alcolumbre em pautar o tema tem sido associada a vínculos políticos no Amapá, onde a Amapá Previdência (Amprev) aplicou R$ 400 milhões em títulos do Master, mesmo após alertas contrários. A presença de aliados e do irmão do senador em órgãos fiscalizadores reforça a pressão sobre sua postura. O caso ganhou relevância após a prisão do presidente do banco, Daniel Vorcaro, em novembro de 2025, durante a Operação Compliance Zero, que apura suposta fraude bilionária envolvendo carteiras de crédito sem lastro e transações com o Banco de Brasília. A CPMI, uma vez instalada, terá prazo de 180 dias para aprofundar as investigações.







