O anúncio da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência em 2026 foi um terremoto político que poucos esperavam. Até então, o sistema parecia confortável com a ideia de uma eleição sem um candidato conservador, preparando-se para dividir o poder entre o centrão e a chamada “direita light”. Mas a escolha de Jair Bolsonaro, mesmo atrás das grades, de apontar seu filho como sucessor imediato, desmontou esse cálculo e expôs a fragilidade de uma estratégia que dependia da ausência de um nome bolsonarista.
A reação foi imediata: a imprensa tradicional, que há anos demonstra antipatia pela família Bolsonaro, reorientou seus ataques para Flávio. As manchetes passaram a questionar sua competitividade, institutos de pesquisa simpáticos ao governo divulgaram números que o colocavam muito atrás de Lula, e analistas repetiram o mantra de que “Flávio não vence”. Mas a voz das ruas, como já vimos em eleições anteriores, raramente coincide com os números fabricados em gabinetes. A tentativa de deslegitimar sua candidatura soa mais como medo do que como análise.
O paralelo com Donald Trump nos Estados Unidos é inevitável. Também lá, o establishment tentou de todas as formas impedir que o presidente voltasse ao jogo político, usando processos judiciais e narrativas midiáticas. O resultado foi o fortalecimento de sua base e a transformação de Trump em símbolo de resistência contra um sistema que muitos consideram manipulado ou manipulador. No Brasil, a prisão de Jair Bolsonaro produziu efeito semelhante: longe de enfraquecê-lo, reforçou sua liderança e mostrou que sua capacidade de indicar sucessores continua intacta.
O que preocupa agora é a possibilidade de se tentar repetir a fórmula: inventar um “crime express” para tirar Flávio da disputa. O histórico recente não permite descartar essa hipótese. Primeiro, prenderam Jair sob acusações que até o cão duvida. Depois, forçaram Eduardo ao exílio político. Agora, com Flávio surgindo como candidato competitivo, não seria surpresa se surgisse uma nova acusação, fabricada às pressas, apenas para inviabilizar sua candidatura. Esse padrão é típico de regimes ditatoriais, aos moldes da Venezuela ou da Rússia, onde opositores são sistematicamente eliminados do processo eleitoral.
Mas o Brasil não é — ou não deveria ser — uma ditadura. A democracia pressupõe que o povo escolha seus líderes nas urnas, não que juízes, jornalistas ou caciques partidários decidam quem pode ou não concorrer. A tentativa de manipular o tabuleiro por meio de perseguições judiciais e campanhas de difamação é um atentado contra a soberania popular. E é justamente esse risco que torna a candidatura de Flávio Bolsonaro tão simbólica: ela representa não apenas a continuidade de um projeto político, mas também a resistência contra um sistema que teme perder o controle.
Michelle Bolsonaro, ao falar em “máquina de moer reputações”, tocou no ponto central. O que está em jogo não é apenas a reputação de Flávio, mas a própria credibilidade do processo democrático. Se a imprensa e os institutos de pesquisa insistirem em distorcer a realidade, e se o sistema judicial se prestar a fabricar acusações, o Brasil corre o risco de se transformar em uma caricatura de democracia, onde eleições existem apenas para legitimar decisões já tomadas nos bastidores.
Flávio, ao afirmar que sua candidatura é irreversível, deixou claro que não pretende se curvar a esse jogo. Ao lado de aliados como Paulo Guedes e Tarcísio de Freitas, ele sinaliza que há um projeto de governo em construção, capaz de unir a direita e oferecer uma alternativa real ao país. O desafio agora será resistir às pressões e ataques que certamente virão. Mas se há algo que a história recente mostrou é que, quanto mais tentam calar os Bolsonaro, mais forte se torna sua voz.
