The Economist, do Reino Unido, expõe ações de Moraes que ameaçam a democracia

Redação 011
2 Min
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foto: Luiz Roberto/Secom/TSE

O editorial da revista britânica The Economist, publicado nesta quarta-feira (16), chamou atenção internacional ao apontar os “poderes surpreendentemente amplos” concentrados no ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo a publicação, apenas no Brasil um magistrado poderia alcançar tamanho protagonismo individual em decisões de peso nacional, destacando a prática das chamadas decisões monocráticas em casos de forte repercussão política. O veículo alertou que esse modelo abre espaço para abusos de autoridade, colocando o sistema democrático em risco.

A revista expôs que Moraes tem usado seu cargo para suspender redes sociais, congelar contas de empresas como a Starlink e ordenar o bloqueio de perfis ligados a apoiadores de Jair Bolsonaro (PL), sem a necessidade de aprovação do plenário do STF. Em casos como o bloqueio da plataforma X, pertencente a Elon Musk, e a suspensão de extradição de um cidadão búlgaro, a atuação solitária do ministro foi vista como excessiva. “Mesmo para os padrões brasileiros, o entusiasmo com que Moraes exerce seu cargo tem sido alarmante”, observou o texto. A Economist defende que julgamentos sensíveis, como o do ex-presidente Bolsonaro, sejam conduzidos pelo plenário completo para garantir maior legitimidade.

Além das críticas a Moraes, a publicação também apontou um cenário preocupante de erosão institucional, em que o STF tem assumido funções que em democracias maduras seriam de responsabilidade de autoridades eleitas. A análise relembrou episódios como a anulação de provas da Lava Jato por decisão de um único ministro e alertou para uma “ameaça tripla”: a deterioração da qualidade das decisões, a perda de apoio popular e o risco do STF virar um instrumento de repressão. Com apenas 12% da população avaliando positivamente o tribunal, segundo o PoderData, a revista concluiu que “é essencial evitar uma crise de confiança generalizada no terceiro poder”.

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