Setores produtivos se unem para travar populismo da 6×1 em ano eleitoral

Redação 011
3 Min
Setores produtivos se unem para travar populismo da 6x1 em ano eleitoral
foto: Letycia Bond/ Agência Brasil

A economia real decidiu reagir à tentativa do governo Lula de usar a escala de trabalho como trunfo eleitoral. Representantes dos principais setores produtivos do país — incluindo transporte, comércio e indústria — coordenam uma ofensiva para adiar a tramitação da PEC que extingue a jornada 6×1. O temor é que o “apelo das urnas” atropele a lógica técnica e cause um colapso na oferta de mão de obra.

Vander Costa, presidente da Confederação Nacional do Transporte (CNT), foi enfático ao afirmar que setores essenciais já sofrem com a falta de profissionais. Segundo ele, reduzir a jornada “na canetada” sem um cronograma de audiências públicas é uma irresponsabilidade que atende apenas a interesses político-partidários.

O “X” da questão: debate técnico vs. comício

Um estudo detalhado da Confederação Nacional do Comércio (CNC) revelou que o fim da escala 6×1 forçará um repasse médio de 13% nos preços ao consumidor final.

Somente no setor de serviços, o impacto estimado é de R$ 235 bilhões, enquanto o comércio de bens enfrentará uma pressão de R$ 122,4 bilhões. O setor mais castigado será o de Turismo, onde os custos operacionais podem saltar assustadores 54%, inviabilizando pequenas pousadas e serviços que dependem de mão de obra intensiva.

O mito da geração de empregos

Embora o estudo aponte uma necessidade teórica de 980 mil novas contratações para cobrir os turnos, a CNC alerta para a realidade: não há mão de obra qualificada disponível. O resultado provável não será o pleno emprego, mas sim a extinção de 631 mil vagas formais a médio prazo e o aumento explosivo da informalidade, já que as empresas não conseguirão arcar com um aumento de 21% na folha salarial.

Enquanto o governo pressiona pela urgência do projeto, empresários articulam uma nota técnica conjunta, prevista para os próximos 15 dias, que deve detalhar o impacto inflacionário e o risco de fechamento de pequenas empresas. O consenso entre os executivos é claro: o debate só será honesto se ocorrer em 2027, longe da influência da propaganda eleitoral.

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