O PSOL enfrenta um racha interno diante da proposta de integrar a federação partidária já formada por PT, PV e PCdoB. O deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) criticou publicamente a ideia, afirmando que “está errado! (…) Federação é um bloco político de, no mínimo, quatro anos de duração. Isso dilui o partido programaticamente, além disso, engessa, tira a independência política para fazer as lutas e determina aquilo que vai ser feito eleitoralmente e vincula”. Para Braga, parte da legenda estaria se afastando dos princípios originais para atender aos interesses de Lula.
A executiva nacional do PSOL deve se reunir no sábado para deliberar sobre o tema. De um lado, Guilherme Boulos (PSOL), atual ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, e Erika Hilton (PSOL-SP) defendem a aliança, mas contam com apoio minoritário. Do outro, alas como Primavera Socialista e Movimento Esquerda Socialista rejeitam a proposta, argumentando que “a federação não é o caminho, nem para fortalecer a esquerda, nem para fazer o necessário enfrentamento à extrema direita”. A crítica de Braga se fortalece diante do apoio do PT à candidatura de Eduardo Paes (PSD) no Rio de Janeiro, o que, segundo ele, compromete ainda mais a autonomia do PSOL.
Enquanto o grupo de Boulos lançou manifesto pedindo “esquerda unida”, 47 integrantes anunciaram saída da corrente Revolução Solidária, acusando o ministro de priorizar sua aproximação com Lula em vez de fortalecer o partido. A decisão da executiva será crucial para definir se o PSOL seguirá alinhado ao Governo Federal ou manterá sua própria linha de atuação. Nos bastidores, lideranças avaliam que a insistência de Boulos em apoiar o petista pode abrir caminho para sua eventual saída da legenda, ampliando a crise interna.










