O caso envolvendo o ministro Dias Toffoli, indicado por Lula em 2009 para o Supremo Tribunal Federal (STF), ganhou novos contornos após integrantes da corte avaliarem a possibilidade de transferir a investigação para a primeira instância, segundo reportagem da Folha de São Paulo. A medida é vista como uma saída para reduzir o desgaste institucional provocado pelo escândalo Master, que expôs vínculos de familiares do ministro com fundos ligados ao banco investigado. A ideia de remeter os autos ao juízo federal é considerada por ministros como uma forma de preservar a imagem do STF e afastar suspeitas de favorecimento.
A pressão sobre Toffoli aumentou depois de críticas internas ao sigilo imposto ao inquérito e à sua viagem em jatinho com um dos advogados envolvidos. A operação Compliance Zero, que tem como alvo o banqueiro Daniel Vorcaro, começou na Justiça Federal em Brasília e chegou ao Supremo após a Polícia Federal apreender documentos que citavam o deputado João Carlos Bacelar (PL-BA), detentor de foro privilegiado. Apesar disso, investigadores afirmam que não há provas de participação direta do parlamentar nas supostas fraudes, o que reforça a tese de que o processo poderia retornar ao primeiro grau sem prejuízo às apurações.
Mesmo diante dos apelos de colegas e de setores do Ministério Público Federal, Toffoli insiste em manter a relatoria. O ministro argumenta que não há impedimento legal ou motivo de foro íntimo para se afastar e que a condução no STF evita vazamentos de informações. Ainda assim, sua postura tem gerado atritos com a Polícia Federal, que criticou a escolha unilateral de peritos e o cronograma reduzido para depoimentos. A possibilidade de desmembramento da investigação, com parte permanecendo no Supremo e outra seguindo para a Justiça Federal, também está em análise, mas depende de novos avanços da operação.









