O chavista Diosdado Cabello, apontado como líder do “Cartel de los Soles” (Cartel dos Sóis), declarou estar “emocionalmente consternado” e com “temor” diante da captura do ditador Nicolás Maduro pelos Estados Unidos. Em vídeo divulgado nas redes sociais, Cabello apareceu ao lado de uma foto de Maduro e de pinturas de Hugo Chávez e Simón Bolívar, afirmando sentir-se “golpeado e com muita dor”. A reação surpreendeu observadores, já que o dirigente vinha mantendo postura combativa contra Washington e agora demonstra insegurança sobre o futuro dele e da estrutura restante do regime após a prisão de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.
O episódio ocorreu após uma operação militar norte-americana na madrugada de 3 de janeiro, que resultou na detenção de Maduro e de sua esposa, acusados de envolvimento em crimes ligados ao narcotráfico e contrabando no Caribe. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou a ação como “brilhante a nível tático” e destacou que o controle norte-americano sobre a Venezuela poderá se estender por anos. Cabello, que dias antes havia aparecido armado e com colete à prova de balas, suavizou o discurso e chegou a afirmar: “Se Estados Unidos está disposto a comprar nosso petróleo, nós o vendemos”, sinalizando possível abertura comercial com Washington.
Além das declarações, Cabello enfrenta acusações de chefiar o “Cartel de los Soles”, organização criminosa formada por militares que utilizam aeronaves e embarcações do Estado venezuelano para transportar drogas da Colômbia aos Estados Unidos. Procurado pela Justiça norte-americana, o chavista tem recompensa oferecida por sua captura. O novo tom adotado por Cabello acompanha a linha de Delcy Rodríguez, que também defendeu aproximação energética com os EUA, em meio ao novo cenário que se desvenda no país após a queda de Maduro.













