Sob a justificativa de “fortalecer a indústria nacional”, o Governo Federal formalizou a elevação do imposto de importação para mais de 1.200 itens. A medida, detalhada pela resolução Gecex nº 852, retira alíquotas que antes eram zeradas ou reduzidas e as empurra para patamares de até 20%.
O alvo principal é a base da modernização econômica: servidores, roteadores, switches e máquinas industriais. A Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES) já reagiu, alertando que a medida fere a infraestrutura transversal que sustenta todos os setores, do agro ao varejo.
O custo da “Nova Indústria Brasil”
Para o Ministério da Fazenda, a dependência de tecnologia externa (que somou US$ 75 bilhões em 2025) é uma “ameaça”. No entanto, economistas e entidades produtoras veem a medida como um imposto sobre a produtividade. Ao encarecer o equipamento que o Brasil não fabrica — ou fabrica com custo muito superior —, o governo penaliza setores como mineração, petróleo e o agronegócio.
O ciclo do atraso (imposto sobre tecnologia)
Custo de entrada: Impostos de importação sobem de 0% para até 20%.
Setor produtivo: O Agro paga mais caro na colheitadeira; a TI paga mais caro no servidor; a indústria paga mais caro na máquina.
Investimento travado: Com máquinas caras, as empresas param de se modernizar. O Brasil fica com tecnologia obsoleta.
Consumidor final: O custo do frete, do serviço de streaming, do software e do alimento sobe para compensar o imposto.
A estratégia parece um retorno aos anos 80: fechar o mercado para tentar criar uma indústria “na marra”, ignorando que, sem tecnologia de ponta importada, a indústria nacional torna-se obsoleta e cara.







