O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), foi advertido pelo ministro Gilmar Mendes em reunião realizada às vésperas da votação do projeto antifacção. O decano do Supremo Tribunal Federal deixou claro que não aceitará qualquer tentativa de interferência na Polícia Federal. Motta respondeu que sua intenção é avançar no combate ao crime organizado, mas garantiu que analisará o tema com cautela, sem compromisso com erros. A sessão marcada para a próxima terça-feira (18) terá o projeto como único item da pauta, reforçando a prioridade dada ao tema.
O cronograma definido por Motta para o PL Antifacção, relatado por Guilherme Derrite (PP-SP), aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), enfrenta resistência de setores governistas. O relator já apresentou diferentes versões do texto, rebatizando-o como Marco Legal da Segurança, após críticas de parlamentares ligados ao Governo Federal. A escolha de Derrite foi vista por governistas como um gesto contrário ao Governo Lula, que tem se mostrado reticente em apoiar medidas de endurecimento penal, mesmo diante da pressão popular por mais segurança.
Na sexta-feira (14), Motta afirmou que não se deixa influenciar pela disputa entre direita e esquerda em torno do projeto. Segundo ele, o foco está em endurecer penas e enfrentar a impunidade, atendendo ao pedido da sociedade por paz e segurança. Em suas redes sociais, o parlamentar destacou que o debate sobre o Marco Legal de Combate ao Crime Organizado ganhou espaço em diferentes esferas, da imprensa às conversas cotidianas, e que isso demonstra vitalidade democrática. A votação desta semana será decisiva para definir se o projeto avançará ou se ficará travado diante das pressões políticas.

