A Polícia Civil de Roraima confirmou que o Tren de Aragua, facção criminosa venezuelana chefiada pelo ditador Nicolás Maduro, expandiu sua presença para Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A facção, considerada a maior da Venezuela, já havia se instalado em Roraima, porta de entrada de milhares de refugiados nos últimos anos, mas agora amplia sua atuação em território brasileiro. Em São Paulo e no Rio, os criminosos se aliaram ao PCC e ao Comando Vermelho, fortalecendo o tráfico de drogas e armas em parceria com as maiores organizações locais.
O avanço da facção ocorre em meio ao processo judicial contra Maduro nos Estados Unidos. O ex-ditador foi capturado no sábado (3), junto de sua esposa, Cilia Flores, e ambos estão detidos em Nova York. Um grande júri federal o indiciou por narcoterrorismo e tráfico internacional de drogas, acusando-o de liderar, por mais de duas décadas, uma rede criminosa que utilizava instituições públicas e forças de segurança da Venezuela para enviar toneladas de cocaína ao território norte-americano. A denúncia prevê pena mínima de 20 anos de prisão, podendo chegar à prisão perpétua.
Segundo autoridades brasileiras, além do tráfico de drogas e armas, o Tren de Aragua também opera esquemas de exploração sexual de mulheres venezuelanas, atraídas ao Brasil sob falsas promessas de melhores condições de vida. Delegados relatam que muitas vítimas acabam presas em dívidas com os criminosos e, em casos extremos, são assassinadas para servir de exemplo. Dados oficiais mostram que, em Roraima, os homicídios saltaram de 90 em 2020 para 127 em 2021, período em que a facção consolidou territórios para venda de cocaína e ampliou sua influência no país.

