Delegados da Polícia Federal disseram ter se sentido pressionados e temeram sofrer retaliações caso avançassem na produção de relatórios envolvendo Alexandre de Moraes, segundo apuração do UOL publicada na segunda-feira (14). O veículo ouviu cinco pessoas envolvidas no caso e relata que um dos investigadores levou a situação diretamente a André Mendonça em uma videochamada realizada em 7 de março. Entre os receios estava a possibilidade de os policiais se tornarem alvos do inquérito das fake news, então comandado por Moraes, caso novas informações sobre sua relação com Daniel Vorcaro fossem formalizadas.
A conversa ocorreu depois de uma reunião interna da PF na qual o diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado, Dennis Cali, orientou os delegados a não produzirem relatórios sobre Moraes sem autorização judicial. Segundo os relatos obtidos pelo UOL, Cali também determinou que eventual material já em elaboração fosse apagado e citou como precedente a reação do STF a investigações envolvendo outros ministros. Um dia depois, em 8 de março, a equipe encaminhou ao gabinete de Mendonça um HD criptografado com uma cópia dos dados extraídos do celular de Vorcaro, dois dias após O Globo revelar mensagens atribuídas ao banqueiro para Moraes. O ministro nega ter acessado o conteúdo, que afirma permanecer lacrado.
Há divergência, porém, sobre quem determinou o envio do material. Parte dos investigadores e pessoas próximas a Mendonça afirma que a entrega ocorreu espontaneamente como forma de preservar os dados, enquanto integrantes da cúpula da PF e um delegado dizem que o gabinete do ministro solicitou a cópia. Um registro interno feito em 14 de março afirma que o HD foi encaminhado “mediante solicitação do Gabinete do Ministro André Mendonça”. Mendonça pediu agora que Edson Fachin ouça quatro delegados sobre as circunstâncias da entrega e sobre possíveis constrangimentos sofridos durante a investigação.

