O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deve elevar a taxa Selic para 14,25% ao ano em sua reunião desta quarta-feira (19), consolidando o quinto aumento consecutivo. Se confirmada, essa decisão levará os juros ao maior patamar desde 2016 e reflete a tentativa do Banco Central de conter os impactos da inflação persistente. O aumento ocorre em meio a um cenário de crescimento abaixo do esperado, o que tem gerado preocupação no mercado financeiro mas há previsões de que a Selic possa atingir 15% ainda neste ano.
A decisão ocorre em um contexto em que os indicadores econômicos revelam sinais de fragilidade. O Produto Interno Bruto (PIB) do último trimestre de 2024 veio abaixo das projeções, enquanto a inflação acumulada em 12 meses subiu para 5,06% em fevereiro. O diretor de Política Econômica do Banco Central, Diogo Guillen, enfatizou que a desaceleração da economia é necessária para conter a inflação: “Temos que desacelerar um pouco a economia. O PIB veio um pouco mais fraco do que o esperado e estamos vendo sinais de moderação”.
O Governo Federal, no entanto, tem criticado a estratégia de elevação dos juros, argumentando que a medida compromete o crescimento econômico. O ministro do Trabalho, Luiz Marinho (PT), chegou a classificar a decisão como “imbecilidade” ao afirmar que restringir a atividade econômica para conter a inflação prejudica o desenvolvimento do país. Enquanto isso, o mercado financeiro já precifica uma Selic ainda mais elevada, o que pode encarecer o crédito, reduzir investimentos produtivos e pressionar as contas públicas com o aumento dos custos da dívida.