Durante a apresentação do novo plano estratégico da Enel nesta segunda-feira (23), o presidente-executivo Flavio Cattaneo declarou que os apagões em São Paulo, provocados principalmente pela queda de árvores sobre a rede elétrica, só poderiam ser evitados por “Jesus Cristo”. A concessionária, alvo de críticas do Governo do Estado e da prefeitura da capital, enfrenta pressão e pode perder a concessão, mas afirma que negocia uma solução definitiva para os problemas de fornecimento. Segundo Cattaneo, a complexidade da arborização urbana torna impossível impedir falhas em situações de tempestade.
O executivo destacou que a empresa apresentou às autoridades locais relatórios indicando melhora de 50% na qualidade do serviço em São Paulo no último ano. Ainda assim, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) mantém em análise a possibilidade de caducidade do contrato da Enel no estado, após apagões que afetaram milhões de consumidores. O processo, iniciado em novembro, foi ampliado para incluir o grande apagão de dezembro, que deixou 4,4 milhões de pessoas sem energia. A discussão deve ser retomada nesta terça-feira, com pedido de prazo adicional por parte do diretor Gentil Nogueira.
Além da situação em São Paulo, a Enel informou que negociações para renovar concessões no Ceará e no Rio de Janeiro estão praticamente concluídas. A companhia também anunciou investimentos globais de 53 bilhões de euros entre 2026 e 2028, com foco em energias renováveis na Europa e nos Estados Unidos. Para a América Latina, o grupo prevê 6,2 bilhões de euros, condicionados a um ambiente regulatório estável. No Brasil, a continuidade da atuação da empresa dependerá das decisões da Aneel e da pressão política sobre o contrato paulista.








