O Banco Central contestou a decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) que determinou inspeção sobre a liquidação do Banco Master, ocorrida em novembro de 2025. No recurso apresentado, a autoridade monetária destacou que o regimento interno do TCU exige deliberação colegiada para autorizar esse tipo de medida, o que não teria ocorrido. O BC solicitou que seja indicada a decisão da Primeira Câmara do tribunal, alegando omissão no despacho que ordenou a diligência. A medida reforça a defesa da autonomia técnica do órgão regulador diante de interferências externas.
O ministro Jhonatan de Jesus, responsável pelo despacho, criticou a forma como o Banco Central conduziu o processo de liquidação, classificando-o como uma “exposição sintética de cronologia sem provas documentais”. Ele determinou que a área técnica do TCU realize uma inspeção para avaliar o histórico da instituição e o perfil dos investidores, além de verificar se os ativos remanescentes poderiam evitar a liquidação. A decisão provocou reação imediata de entidades financeiras, como Febraban e Anbima, que divulgaram nota conjunta defendendo a independência e a autoridade técnica do Banco Central na supervisão bancária.
Paralelamente, o Banco Central encaminhou ao Ministério Público informações sobre supostos “laranjas” envolvidos em operações de lavagem de dinheiro ligadas ao Banco Master. Esses nomes, segundo o BC, podem ser fundamentais para recuperar recursos e identificar beneficiários ocultos das movimentações financeiras realizadas sob o comando de Daniel Vorcaro. A comunicação foi feita em 17 de novembro e busca ampliar a investigação sobre as ramificações das operações do banco, ao mesmo tempo em que sustenta a necessidade de preservar a autonomia institucional da autoridade monetária.

