O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta quinta-feira (27) que a autoridade monetária deve continuar incluindo os preços dos alimentos no cálculo da inflação, contrariando a posição do governo Lula (PT). A declaração ocorre após o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) defender a retirada desses itens do índice, em linha com a prática adotada pelo Federal Reserve, nos Estados Unidos onde o custo dos alimentos não representa um grande problema para os cidadãos. Galípolo reforçou a autonomia do BC e justificou a decisão como essencial para garantir que a política monetária reflita com precisão a realidade econômica do país.
A posição do Banco Central também se reflete na decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter uma postura mais rígida para conter a inflação. No relatório divulgado nesta quinta-feira (27), a projeção de crescimento do PIB para 2025 foi reduzida de 2,1% para 1,9%, e a Selic deve continuar em alta para alcançar a meta de inflação de 3%. “Todos os diretores têm autonomia e, em todos os meus votos, está lá expresso o que é a consciência e a visão de cada um”, disse Galípolo, destacando seu protagonismo na condução da política monetária desde a saída de Roberto Campos Neto.
Enquanto o governo tenta minimizar os impactos da inflação com mudanças metodológicas, o BC mantém sua posição firme na busca pelo equilíbrio econômico. A taxa do IPCA atingiu 5,06% em fevereiro e deve subir para 5,6% em março, reforçando a necessidade de medidas cautelosas. A autoridade monetária já indicou que novos aumentos na taxa básica de juros podem ocorrer, ainda que em menor magnitude, para assegurar a convergência da inflação dentro da meta estabelecida.