Em uma movimentação que surpreende a opinião pública, Erika Hilton (PSOL-SP) está prestes a ser confirmada como presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara dos Deputados. A escolha, resultado de acordo entre partidos de esquerda, será submetida à votação na próxima semana. Caso seja aprovada, Hilton se tornará a primeira pessoa trans a ocupar o cargo, marco inédito na história do Parlamento brasileiro.
A parlamentar pretende utilizar a presidência para ampliar o debate sobre políticas de gênero e incluir na pauta o tema do transfeminicídio. Dados da Associação Nacional de Travestis e Transexuais apontam que o Brasil registrou 80 assassinatos de pessoas trans em 2025, número inferior ao de 2024, quando houve 122 mortes, mas que mantém o país como líder mundial nesse tipo de violência há quase duas décadas. Hilton defende que a comissão seja espaço para discutir medidas de enfrentamento a esse cenário.
Além da pauta de gênero, Erika Hilton também atua em projetos alinhados ao Governo Federal. Ela é autora da PEC que propõe o fim da escala de trabalho 6×1, considerada uma das principais apostas eleitorais do governo Lula para outubro. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), já sinalizou que indicará relator para a proposta, mas há articulação para que o tema seja tratado por meio de projeto de lei, que exige menos votos e tramitação mais rápida. Hilton busca apoio interno para relatar a matéria e acelerar sua análise.









