Em um encontro tenso na sede da Fiesp, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o presidente da entidade, Paulo Skaf, mostraram que o governo e a indústria brasileira falam línguas diferentes. Enquanto a Câmara se prepara para votar a PEC que extingue a escala 6×1, Alckmin adotou um tom ambíguo, justificando a redução da jornada como uma “tendência mundial” causada pela automação.
A resposta de Paulo Skaf foi curta e grossa: “6×1 e redução de jornada em ano eleitoral não combina”. Para a indústria, o governo está jogando para a plateia e usando um tema técnico para colher votos, ignorando o impacto nos custos de produção e na sobrevivência das pequenas empresas.
O “core inflation” e a reunião com Trump
Alckmin também tentou acalmar os ânimos sobre a guerra comercial com os EUA. Confirmou que Lula deve se reunir com Donald Trump para tratar das tarifas, mas usou o encontro para pressionar o Banco Central. O vice defendeu que o Copom ignore a inflação de alimentos e energia — que ele atribui ao clima e à geopolítica — para baixar os juros na marra. “Não adianta aumentar juros que não vai fazer chover”, disparou Alckmin, ecoando a velha tática petista de culpar fatores externos pela inflação doméstica.








