A Advocacia-Geral da União (AGU), comandada por Jorge Messias, acionou nesta quinta-feira (1º) a Polícia Federal, chefiada por Andrei Rodrigues, e a Procuradoria-Geral da República, representada por Paulo Gonet, para investigar um suposto financiamento do governo Donald Trump a organizações de direita no Brasil. A notícia-crime foi encaminhada diretamente ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, a apenas três dias do primeiro turno. A iniciativa ocorre em meio às acusações da campanha de Lula de interferência estrangeira em favor de Flávio Bolsonaro (PL), embora o pedido da AGU não apresente prova de transferência direta de recursos à campanha do candidato.
A representação tem como base reportagem do jornal britânico The Guardian segundo a qual o Departamento de Estado dos Estados Unidos destinou US$ 1 milhão a um programa denominado “Combate ao Lawfare e à Censura no Brasil”. A verba faz parte de uma redistribuição mais ampla de recursos do Fundo de Direitos Humanos e Democracia norte-americano para iniciativas conservadoras em diferentes países. Segundo a AGU, os recursos poderiam financiar redes e organizações brasileiras dedicadas a combater decisões do STF. O órgão pediu que PF e PGR identifiquem os eventuais destinatários do dinheiro e esclareçam se houve operação voltada a interferir nos assuntos internos brasileiros.
A iniciativa ocorre quando Lula chega à reta final com a possibilidade de perder a eleição. Pesquisas recentes registram empate técnico entre Flávio Bolsonaro e o petista, enquanto alguns levantamentos colocam o candidato do PL numericamente à frente. Ao mesmo tempo, a campanha petista e órgãos do governo federal intensificaram ações para apurar uma suposta interferência estrangeira favorável à direita, levando suspeitas à Justiça Eleitoral, à Polícia Federal e à PGR. Até agora, porém, não foi demonstrado que os recursos norte-americanos citados tenham sido repassados diretamente a Flávio, ao PL ou à campanha presidencial.

