O otimismo do Palácio do Planalto não resiste aos dados do SPC Brasil e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL). Em janeiro, o número de brasileiros com contas em atraso atingiu o nível mais alto em nove anos. O cenário é de desespero: famílias estão priorizando o prato de comida e deixando de pagar o cartão de crédito, o financiamento e até as contas básicas de luz e água.
O levantamento aponta que o endividamento não cede, mesmo com o consumo em marcha lenta. O motivo? O brasileiro está usando o crédito rotativo — o mais caro do mundo — apenas para manter as despesas correntes, como o supermercado. Com a Selic mantida em patamares elevados para conter a inflação que o próprio descontrole de gastos do governo gera, o crédito ficou proibitivo, travando qualquer chance de renegociação saudável.
Houve uma expansão do crédito nos últimos anos sem o aumento correspondente da renda real. O resultado é uma população vulnerável, onde qualquer oscilação no preço de itens essenciais — como o novo tarifaço de 1.200 produtos anunciado pelo governo — empurra a família diretamente para a lista de negativados.









