Poucas vezes na história recente da América Latina se viu um sopro tão intenso de esperança como o que percorreu a Venezuela nas últimas três semanas. A captura de Nicolás Maduro em 3 de janeiro de 2026 não apenas encerrou um ciclo de tirania, mas abriu uma janela inédita para a reconstrução de um país devastado por quase três décadas de chavismo. Pela primeira vez em 28 anos, os venezuelanos puderam respirar os ares da liberdade econômica, ainda que sob a tutela de uma transição interina apoiada pelos Estados Unidos.
É inegável que o regime chavista, sustentado por uma retórica socialista e práticas ditatoriais, levou a Venezuela ao colapso. O país, que já foi uma das economias mais prósperas da região, tornou-se sinônimo de miséria, êxodo e repressão. A queda de Maduro, pressionada por Washington e celebrada nas ruas de Caracas, representa não apenas o fim de um ditador, mas o início de um processo que pode devolver dignidade a milhões de cidadãos.
Os sinais econômicos, ainda embrionários, são promissores. Em apenas três semanas, a indústria petroleira começou a dar sinais de recuperação, e os primeiros 300 milhões de dólares provenientes da venda de petróleo sob supervisão americana foram destinados à estabilização da moeda e à melhoria da qualidade de vida da população. É um fluxo financeiro que, se bem administrado, pode representar o início de uma reconstrução nacional. Donald Trump, em Davos, foi claro ao afirmar que os Estados Unidos não apenas apoiariam a transição, mas também garantiriam investimentos massivos no setor energético.
É verdade que o caminho está longe de ser simples. A estrutura chavista ainda resiste, e os militares continuam controlando setores-chave da economia. A vice-presidente Delcy Rodríguez, agora interina, tenta equilibrar a aproximação com Washington sem perder o apoio interno. Mas o fato de que alguns presos políticos foram libertados e que negociações diplomáticas diretas com os EUA foram retomadas já indica uma mudança de paradigma. Pela primeira vez, o chavismo parece acuado, incapaz de impor sua narrativa de “revolução socialista”.
Comparações com o Brasil são inevitáveis. Enquanto a economia brasileira enfrenta um crescimento tímido de 1,6% em 2026, a Venezuela, mesmo partindo de uma base destruída, pode liderar percentualmente o crescimento da região. É o chamado “efeito estatístico”: crescer rápido porque se partiu do fundo do poço. Mas esse detalhe não diminui a relevância do momento. O país, que precisa de até 2,3 trilhões de dólares para se reconstruir totalmente, começa a dar passos concretos rumo a uma nova era.
Os exilados, ainda cautelosos, observam de longe. Muitos hesitam em voltar, conscientes de que a democracia plena ainda não foi restaurada. Mas o simples fato de que se discute retorno já é um sinal de mudança. A Venezuela, que por anos foi símbolo de fuga e desespero, agora começa a ser vista como um terreno possível de reconstrução. É um contraste brutal com o passado recente, em que qualquer esperança era esmagada pela repressão chavista.
O que se vê hoje é um país em transição, pressionado por Washington, mas finalmente livre da figura de Maduro. É um momento que deve ser celebrado não apenas pelos venezuelanos, mas por todos que acreditam na liberdade e na democracia. A queda de um regime comunista e ditatorial, mesmo que parcial, é sempre uma vitória da civilização sobre a barbárie. E se há algo que os últimos 26 anos ensinaram, é que a Venezuela não pode mais se dar ao luxo de retroceder.
Em resumo, estas três semanas representam o melhor período da Venezuela em mais de duas décadas. Ainda há incertezas, ainda há riscos, mas há também uma sensação inédita de que o chavismo está com os dias contados. E isso, por si só, já é uma vitória histórica — uma vitória que ecoa além das fronteiras, reafirmando que a liberdade, mesmo tardia, sempre encontra um caminho.










