O procurador-geral da Venezuela, Tarek William Saab, denunciou o governo de Nayib Bukele, de El Salvador, por supostos crimes contra a humanidade após a prisão de criminosos venezuelanos deportados dos Estados Unidos. Saab alegou que as detenções no Centro de Confinamento do Terrorismo (Cecot) configuram discriminação e violam o Estatuto de Roma. “Há vários crimes distintos que claramente se qualificam como crimes contra a humanidade”, declarou o chavista em coletiva de imprensa, pedindo que a Suprema Corte salvadorenha analise a legalidade das prisões.
A acusação ocorre enquanto o próprio regime de Nicolás Maduro enfrenta investigações internacionais por perseguições políticas e violações de direitos humanos. Desde 2021, o Tribunal Penal Internacional apura denúncias contra Caracas, e um relatório recente da ONU apontou que o governo venezuelano assassinou opositores, prendeu milhares de manifestantes e cometeu sequestros e torturas contra dissidentes.
Apesar das acusações contra El Salvador, nem os Estados Unidos nem Bukele divulgaram informações detalhadas sobre os venezuelanos detidos, suspeitos de ligação com a gangue criminosa “Tren de Aragua”. O governo salvadorenho sustenta que seu sistema prisional segue padrões de segurança e ordem, garantindo o respeito aos direitos humanos sem distinção de nacionalidade. Enquanto isso, organizações internacionais alertam para a repressão na Venezuela, onde quase dois mil presos políticos permanecem sob custódia, muitos sem julgamento e vítimas de tortura, segundo ONGs de direitos humanos.