Quando a realidade se torna inconveniente, Lula e sua orquestra escolhem um caminho peculiar: negar sua existência. Curiosamente, o mesmo governo que não tira a palavra “negacionismo” da boca parece praticá-lo com maestria. Como dizia Vladimir Lenin: “Acuse-os do que você faz, chame-os do que você é!”.
O vice-presidente Geraldo Alckmin sugere que o Banco Central simplesmente exclua os preços dos alimentos e da energia do cálculo da inflação, enquanto Lula aconselha os brasileiros a pararem de comprar produtos caros e a assumirem o papel de detetives para identificar os culpados pela alta dos preços. O problema, portanto, não seria o custo de vida sufocante, mas o desconforto do governo em lidar com as consequências de sua própria gestão. Como uma criança que esconde a sujeira debaixo do tapete, o governo petista acredita que ignorar os problemas os fará desaparecer.
A comparação feita por Alckmin com os Estados Unidos, onde o Federal Reserve calcula uma inflação “core” sem alimentos e energia, é falaciosa. Nos EUA, essa métrica é apenas um indicador complementar, não um artifício para mascarar a perda do poder de compra da população. Remover esses itens do índice oficial de inflação no Brasil é um truque que beira o absurdo, pois são justamente os preços dos alimentos e da energia que mais pesam no bolso das famílias. O objetivo parece evidente: maquiar as estatísticas para disfarçar uma crise alimentada por políticas econômicas irresponsáveis e uma gastança desenfreada.
Se essa distorção dos números já não fosse suficiente, Lula avança ainda mais ao sugerir que os brasileiros boicotem itens caros para forçar uma redução de preços. A declaração revela um desconhecimento alarmante da dinâmica do mercado. Os preços não sobem por capricho dos comerciantes, mas por uma combinação de aumento nos custos de produção, carga tributária asfixiante e desvalorização cambial. Enquanto o governo se recusa a cortar gastos e adotar uma política fiscal responsável, a inflação segue corroendo os salários e afastando os brasileiros de necessidades básicas.
A Frente Parlamentar da Agropecuária foi precisa ao apontar que o problema não está na oferta de alimentos, mas sim na sabotagem do setor produtivo pelo próprio governo. Em vez de estimular a produção nacional com incentivos reais, a solução apresentada é zerar impostos sobre produtos importados, uma medida paliativa que pouco alivia o peso sobre o bolso do brasileiro. Essas estratégias podem gerar algum efeito momentâneo, mas não resolvem a raiz do problema: um ambiente de negócios sufocado pelo excesso de regulamentação e tributação.
O governo Lula segue um roteiro já conhecido por quem acompanha a história da América Latina: cria um problema com sua própria incompetência, culpa o mercado e os produtores, e depois apresenta “soluções” que apenas agravam a situação. A Argentina e a Venezuela são exemplos claros de como esse modelo de gestão leva ao colapso econômico, e o Brasil parece estar perigosamente na mesma trilha. No fim das contas, quem paga essa conta é o cidadão comum, que vê sua qualidade de vida se deteriorar enquanto os pilotos do avião de Brasília se esforçam para maquiar a realidade.
A solução para a crise dos alimentos no Brasil não está em truques estatísticos ou em campanhas educativas para ensinar o povo a “consumir melhor”. O Brasil precisa de um governo que compreenda a importância do setor produtivo, corte gastos públicos desnecessários, reduza impostos e facilite a vida de quem quer produzir e gerar riqueza. Enquanto isso não acontecer, os brasileiros continuarão pagando cada vez mais caro por menos comida, enquanto o governo insiste em fingir que tudo está sob controle—e rotular de “negacionistas” aqueles que ousam expor sua incompetência.