A União Europeia confirmou nesta sexta-feira (9) a aprovação de um tratado de livre-comércio com o Mercosul, que prevê a eliminação de tarifas em mais de 90% das transações entre os blocos. O acordo, aguardado há mais de duas décadas, abre espaço para que o agronegócio brasileiro amplie sua presença no mercado europeu, fortalecendo setores estratégicos da economia nacional. A decisão foi tomada em Bruxelas, com a participação dos 27 Estados-membros, e marca um avanço histórico nas negociações que envolvem Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.
Apesar do sinal verde dado pelos países europeus, o tratado ainda precisa ser ratificado pelo Parlamento Europeu nas próximas semanas. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, já tem agenda marcada para Assunção, onde deve assinar o documento na segunda-feira (12). A resistência de alguns países, como a França, continua sendo um obstáculo. O presidente Emmanuel Macron declarou voto contrário, alegando que o acordo ameaça setores agrícolas considerados essenciais para a soberania alimentar francesa. A posição francesa contrasta com a de Espanha e Alemanha, que defendem a ampliação das oportunidades comerciais diante da concorrência global.
O acordo UE-Mercosul surge em meio a disputas comerciais internacionais, incluindo medidas de pressão adotadas pelo governo Trump para pressionar o Brasil e outros países que tem se distanciado de práticas democráticas, com tarifas que impactaram diretamente o setor exportador. A negociação também expõe divergências políticas: Lula, que mantém proximidade com Macron, já criticou a postura francesa em relação ao tratado. A criação da maior zona de livre comércio do mundo, caso seja confirmada, deve reposicionar o Brasil no cenário internacional, ampliando a competitividade de seus produtos e reforçando a relevância do agronegócio nacional frente às importações chinesas.













