A coalizão de direita em São Paulo já tem um nome praticamente selado para o Senado: o ex-secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite (PP). O problema reside na segunda vaga da chapa. Com a provável inelegibilidade do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), que era o nome natural para o posto, uma verdadeira disputa de bastidores foi aberta para ver quem herda o espólio político.
Os quatro nomes no tabuleiro do PL
André do Prado (PL): Presidente da Alesp. É a indicação prioritária do governador Tarcísio de Freitas. O argumento é que ele possui excelente trânsito com o “Centrão”, diálogo com prefeitos do interior e ajudaria a blindar a chapa contra o avanço de nomes de centro-esquerda, como Simone Tebet (MDB).
Mario Frias (PL): Ex-ministro da Cultura. É o preferido da ala ideológica e conta com a simpatia direta de Eduardo Bolsonaro. Representa a manutenção do voto puramente conservador.
Coronel Mello Araújo (PL): Atual vice-prefeito da capital. É o nome defendido pelo próprio ex-presidente Jair Bolsonaro. Partidos do “Centrão” que apoiam o prefeito Ricardo Nunes defendem sua ida para o Senado para “desocupar” o cargo de vice na prefeitura.
Renato Bolsonaro (PL): Irmão de Jair Bolsonaro. Surge como a opção de consenso e pacificação caso os três grupos acima não cheguem a um acordo, aproveitando o recall do sobrenome da família.
O resultado da pesquisa deve balizar a decisão do partido nas próximas semanas, mostrando quem agrega mais votos e quem gera menor rejeição junto ao eleitorado paulista. A disputa pela vaga ao Senado em São Paulo escancara a primeira grande divergência entre o governador Tarcísio de Freitas e o clã Bolsonaro.
Eduardo enxerga o cargo como propriedade do “bolsonarismo raiz”, enquanto Tarcísio, de olho em sua reeleição e na governabilidade, sabe que precisa de pontes com o centro para vencer e governar.
A decisão do PL de recorrer a uma pesquisa é a saída mais inteligente para evitar que o racha sangre a aliança. Se a direita quer repetir o sucesso de pleitos passados no estado, precisará deixar a vaidade de lado. O eleitor de São Paulo já deu mostras de que apoia o conservadorismo, mas prefere a eficiência administrativa aos discursos puramente ideológicos.







