PF ignora histórico médico e mantém Bolsonaro na Papudinha

Redação 011
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PF ignora histórico médico e mantém Bolsonaro na Papudinha
foto: Fernando Frazão/ Agência Brasil

A Polícia Federal enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta sexta-feira (6), um laudo pericial que avalia as condições de saúde do ex-presidente Jair Bolsonaro. O documento, assinado por peritos do Instituto Nacional de Criminalística, conclui que as enfermidades crônicas de Bolsonaro não exigem, no momento, tratamento hospitalar ou prisão domiciliar, permitindo o cumprimento de pena em unidade prisional.

O exame foi determinado pelo ministro Alexandre de Moraes para verificar se o ambiente da “Papudinha” — ala destinada a ex-autoridades no Complexo da Papuda — possui estrutura para atender às necessidades clínicas do ex-presidente.

Quadro clínico e recomendações

A junta médica confirmou que Bolsonaro é portador de uma série de patologias, incluindo:

Aderências intestinais (decorrentes das sucessivas cirurgias após o atentado de 2018);

Hipertensão arterial e aterosclerose sistêmica;

Apneia obstrutiva do sono grave;

Sintomas neurológicos que elevam o risco de quedas.

Apesar de reconhecer a complexidade do quadro, os peritos afirmaram que as doenças estão “sob controle clínico”. Para viabilizar a custódia, o laudo sugere adaptações na cela, como a instalação de barras de apoio e dispositivos de emergência, além de dieta específica e fisioterapia contínua para manutenção do equilíbrio e força muscular.

Contradições e diagnósticos afastados

Um ponto de divergência técnica reside no fato de que a junta da PF não confirmou diagnósticos presentes em relatórios médicos anteriores apresentados pela defesa, como pneumonia bacteriana e depressão. Segundo o documento, os exames realizados agora não foram suficientes para comprovar tais condições.

Análise: A seletividade dos precedentes

A conclusão da Polícia Federal levanta um debate sobre a isonomia no tratamento de réus com doenças crônicas. O histórico do Judiciário brasileiro é repleto de concessões de prisão domiciliar para detentos com quadros de saúde menos complexos que o de Bolsonaro, que carrega as sequelas de uma facada e sete intervenções cirúrgicas.

A recomendação de “adaptações físicas” na cela em vez da transferência para um ambiente médico levanta dúvidas sobre a capacidade do Estado de garantir a integridade física do ex-presidente. Em casos de obstrução intestinal, a intervenção precisa ser imediata, algo que a estrutura da Papuda, mesmo com as adaptações sugeridas, pode não oferecer com a agilidade necessária.

O laudo da PF sobre Bolsonaro ignora um histórico médico de alto risco, mas o histórico recente da Justiça brasileira mostra que, para outros nomes, o “humanismo” é a regra de ouro.

Personagem Situação Médica Decisão Judicial O Critério
Jair Bolsonaro 7 cirurgias, obstruções intestinais crônicas, aterosclerose e risco de quedas. Apto para a prisão Recomendação de “barras de apoio” na cela.
Genoíno (PT) Cardiopatia (após cirurgia na aorta). Prisão Domiciliar Considerado “extremamente debilitado” para o regime fechado.
Sérgio Cabral Alegou depressão e crises de ansiedade na prisão. Progressão e Soltura Diversas decisões atenuaram sua permanência no cárcere.
Criminosos Comuns Doenças crônicas ou idade avançada. Indultos e Saidinhas O STF e o CNJ frequentemente priorizam o “desencarceramento”.

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