Falar sobre o preço do ovo está em alta, e eu posso provar. No último sábado (15), fui assistir a um show em São Paulo da banda britânica Simply Red. Um belo espetáculo, recomendo. Mas uma coisa não passou despercebida durante a apresentação: um senhor ao meu lado, que acredito ter mais de 70 anos, reclamava do preço do ovo.
Ele puxou conversa conosco antes da apresentação e me fez um ‘desabafo’: “O Lula quer saber quem aumentou o preço do ovo”, dizia o senhor, que se apresentou como importador, reclamando também da quantidade de impostos que pagava.
“Ele prometeu a picanha a 5 reais”, continuou ele… realmente estava revoltado. Ao final do show, apertei sua mão e, sendo galhofeiro como sou, disse: “Não compre mais ovo”.
Já nesta segunda-feira (17), fui a um mercado na região central de São Paulo para conferir alguns preços, e, claro, o ‘bendito’ ovo. Uma caixa com uma dúzia estava em torno de R$14, pouco mais de R$1 por unidade. Achei razoável para o meu padrão de vida.
O problema é quando olhamos para quem não tem muito para gastar e já utiliza o ovo como proteína, substituindo outras opções mais caras, como carne e frango. O brasileiro sempre ‘correu’ para o ovo durante as crises, afinal, era barato e dava para fazer de tudo, além de ser uma boa fonte de proteína.
Aí mora o problema de Lula: o arroz e feijão puros (se der para comprar) ficam mais difíceis de engolir para o trabalhador. Afinal, para quem prometeu picanha, não entregar nem o ovo fica difícil. O preço da carne, pude perceber, está caríssimo, impossível para a classe média.
Mas, de uma coisa, Lula não pode reclamar: o preço da cerveja está bem barato, o que lhe permite comandar o país do jeito que gosta.