Em um cenário de crescente tensão com os Estados Unidos, a televisão estatal da Venezuela recorre ao “Super Bigode”, o alter ego animado do líder venezuelano Nicolás Maduro, como peça central de sua campanha de propaganda, que busca rechaçar a presença militar americana no Caribe. O personagem, transmitido desde 2021, agora é usado para enviar mensagens diretas a Washington.
Mensagens Contraditórias e a Figura do ‘Super Bigode’
A utilização do “Super Bigode” faz parte da comunicação do regime em um momento delicado, marcado pela concentração de navios de guerra dos EUA próximos à costa venezuelana e pela cogitação do presidente americano, Donald Trump, de uma intervenção militar para depor Maduro.
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Mudança Visual: Em um episódio de setembro, logo após Trump iniciar ataques aéreos a supostos barcos de drogas na região, o Super Bigode trocou seu traje habitual por um uniforme militar, empunhando uma espada. Curiosamente, mesmo com a imagem belicosa, o personagem animado declarou que a Venezuela não possui uma “cultura bélica”.
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Dissonância: O regime envia mensagens confusas. Por um lado, incita os cidadãos a se prepararem para uma ação militar, mas, por outro, insiste que a situação está sob controle. Essa discrepância é visível nas ruas de Caracas, onde equipes de reportagem não notaram a mobilização de campanhas visuais (outdoors, murais) de apoio à postura de guerra do governo, mesmo em seus redutos.
Estratégia de Comunicação de Maduro e Cabello
A cúpula do regime venezuelano emprega táticas de comunicação distintas, mas coordenadas, para lidar com as ameaças externas:
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Maduro, o Pacificador: O líder venezuelano tem feito aparições públicas quase diárias, muitas vezes retratando-se como um pacificador. Em contraste com a retórica de guerra, Maduro chegou a cantar “Imagine” de John Lennon em um evento, pedindo a Trump que aceite conversas diretas pela paz nas Américas. Essa estratégia, segundo analistas, passou de uma minimização inicial das tensões para um tom mais “ameaçador e retaliatório” à medida que a presença militar dos EUA aumentava.
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Cabello, o Agressivo: O ministro do Interior e apresentador de TV, Diosdado Cabello, atua como o antagonista agressivo do regime. Em seu programa de alta audiência, “Con el Mazo Dando”, Cabello ataca a oposição e promove a narrativa de que as ações dos EUA no Caribe não estão ligadas a drogas, mas sim à intenção de “tomar controle dos recursos naturais da Venezuela”. Cabello frequentemente responde às críticas com gravações do falecido presidente Hugo Chávez desafiando os EUA.
Em meio a essa máquina de propaganda, que inclui vídeos de militares venezuelanos se preparando para o combate, o dilema da liderança persiste: como mobilizar apoio sem causar pânico em um país sob cerco. A resposta pode depender se, de fato, o Super Bigode terá que tirar sua espada da bainha.

