Dois cargueiros que operam na rota de exportação de petróleo da Venezuela para a China permanecem parados no Atlântico sem realizar viagem prevista entre Caracas e Pequim. Os navios Xingye e Thousand Sunny, segundo dados do Marine Traffic, estão em espera devido ao bloqueio imposto pelos Estados Unidos após a captura do ditador Nicolás Maduro. A indefinição ocorre porque o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que pretende redirecionar parte da produção venezuelana para o mercado norte-americano.
Na semana passada, Trump declarou que a Venezuela venderia 50 milhões de barris de petróleo aos EUA a preço de mercado e que controlaria os recursos financeiros da operação para garantir benefícios tanto para os norte-americanos quanto para os venezuelanos. A medida, no entanto, confronta acordos firmados entre Caracas e Pequim ao longo das últimas décadas, nos quais a China investiu bilhões de dólares em troca de fornecimento contínuo de petróleo. Desde o início do mês, a estatal PDVSA não realizou entregas ao país asiático, em razão do cerco norte-americano aos portos venezuelanos.
A situação provocou reação imediata de Pequim. A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, afirmou na quarta-feira (7) que “o uso descarado da força pelos EUA contra a Venezuela e a exigência de que o país favoreça a América ao administrar seus próprios recursos de petróleo. Segundo a diplomata, os direitos legítimos da China e de outros países na Venezuela precisam ser preservados. As declarações foram feitas após reportagens indicarem que Washington exige que Caracas reduza vínculos com China, Rússia, Irã e Cuba, em meio à disputa por influência na região.











