O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) manifestou apoio ao regime de Nicolás Maduro diante das recentes medidas de pressão adotadas pelos Estados Unidos. A declaração foi feita durante visita de representantes do movimento à Venezuela, onde o grupo defendeu a soberania do país vizinho e criticou as sanções impostas por Washington. O posicionamento reforça a aproximação entre o MST e o regime chavista, marcado por alianças ideológicas e projetos comerciais conjuntos.
Em março, o ditador venezuelano concedeu ao MST cerca de 180 mil hectares de terras agrícolas, expropriadas a agricultores de opisição pelo ditador falecido Hugo Chávez em 2008. A área será utilizada para produção agroecológica, com parte dos alimentos destinados ao norte do Brasil e à exportação. O projeto, batizado de “Pátria Grande do Sul”, foi apresentado como modelo de integração regional e soberania alimentar. A iniciativa fortalece o vínculo entre o movimento brasileiro e o regime de Maduro, que enfrenta críticas internacionais por violações de direitos humanos e repressão política.
A aliança foi evidenciada também pela presença de representantes do MST na cerimônia de posse de Maduro, realizada em janeiro. João Pedro Stedile, principal liderança do movimento, integrou a delegação brasileira ao lado de membros do PT. Embora Lula (PT) não tenha comparecido, o Governo Federal foi representado pela embaixadora do Brasil em Caracas. A aproximação entre o Governo Lula e regimes ditatoriais da América Latina tem gerado preocupação entre setores democráticos, que apontam riscos à política externa e à imagem internacional do país.